Gênero e trabalho no Brasil e na França. Perspectivas interseccionais

Gênero e trabalho no Brasil e na França. Perspectivas interseccionais
Boitempo, 2016, São Paulo, 288p.
Organizadoras: Alice Rangel de Paiva Abreu, Helena Hirata e Maria Rosa Lombardi

Capitalismo, machismo e racismo andam de mãos dadas, tanto no centro quanto na periferia do sistema. É na difícil e incontornável tarefa de captar as articulações entre essas opressões cruzadas que Gênero e trabalho no Brasil e na França: perspectivas interseccionais oferece uma contribuição fundamental. Fruto do intercâmbio científico entre França e Brasil e organizado por uma equipe interdisciplinar liderada pelas pesquisadoras Alice Rangel de Paiva Abreu, Helena Hirata e Maria Rosa Lombardi, o livro atualiza o debate contemporâneo sobre a desigualdade de gênero ao abordar as complexas relações entre trabalho, cuidado e políticas sociais.
Apesar dos avanços nas últimas décadas, este livro revela que não temos muito a comemorar. Reunindo textos de mais de 30 autoras/es nacionais e internacionais, a obra documenta os limites da incorporação das mulheres no trabalho realizado na esfera pública, do ponto de vista do tensionamento das desigualdades econômicas entre os gêneros.

Mesmo ao alcançarem lócus de poder, as mulheres, tanto na sociedade brasileira quanto na francesa, tendem a ocupar posições inferiores e de menor prestígio. À luz das teorias feministas, este Gênero e trabalho no Brasil e na França mostra que a disparidade salarial, a dificuldade para ascender na carreira e a segregação enfrentadas por mulheres são problemas globais.

Ao longo de 23 capítulos, a antologia elabora um rol impressionante de dados novos de pesquisa de campo no centro e na periferia do capitalismo e discute questões cruciais da dinâmica contemporânea das relações de gênero no trabalho, como:
– as mudanças do mercado de trabalho feminino;
– o acesso das jovens à educação;
– a divisão sexual das tarefas domésticas e as interfaces entre vida profissional e vida familiar;
– a evolução e os limites da integração das mulheres nas carreiras científicas, tecnológicas e artísticas;
– a articulação entre relações sociais de classe, raça, sexo e trabalho;
– o trabalho do cuidado e sua terceirização;
– a exposição feminina a postos de trabalho cada vez mais precários;
– a nova agenda do combate à violência e a questão dos direitos, da cidadania e das políticas públicas.

Ao reunir autoras/es que, em sua pesquisa acadêmica, têm em vista a necessidade da transformação da sociedade, esta publicação vem para fazer diferença no debate e na luta pela conquista dos direitos das mulheres.

Textos de:
Adriana Piscitelli, Alice Rangel de Paiva Abreu, Ana Carolina Cordilha, Angelo Soares, Antonio Sérgio A. Guimarães, Aurélie Damamme, Bila Sorj, Danièle Kergoat, Débora de Fina Gonzalez, Florence Jany-Catrice, Gabriela Freitas da Cruz, Glaucia dos Santos Marcondes, Guita Grin Debert, Helena Hirata, Joice Melo Vieira, Jules Falquet, Laís Abramo, Lena Lavinas, Liliana Segnini, Luz Gabriela Arango, Marc Bessin, Margaret Maruani, Maria Betânia Ávila, Maria Coleta F. A. de Oliveira, María Elena Valenzuela, Maria Rosa Lombardi, Monique Meron, Murillo M. Alves de Brito, Nadya Araujo Guimarães, Nathalie Lapeyre, Rachel Silvera.

Sumário

Introdução
Alice Rangel de Paiva Abreu, Bila Sorj, Helena Hirata, Margaret Maruani, Maria Rosa Lombardi, Nadya Araujo Guimarães

PARTE I: ENTRECRUZAR AS DESIGUALDADES

1. O cuidado e a imbricação das relações sociais
Danièle Kergoat

2. Sociologia e natureza: classes, raças e sexos
Antonio Sérgio A. Guimarães

3. Transformações neoliberais do trabalho das mulheres: liberação ou novas formas de apropriação?
Jules Falquet

4. Carinho, limpeza e cuidado: experiências de migrantes brasileiras
Adriana Piscitelli

PARTE II: MEDIR AS DESIGUALDADES

5. Como contar o trabalho das mulheres? França, 1901-2011
Margaret Maruani e Monique Meron

6. Mercantilização no feminino: a visibilidade do trabalho das mulheres no Brasil
Nadya Araujo Guimarães e Murillo Marschner Alves de Brito

7. O salário das mulheres na França no século XXI: ainda um quarto a menos
Rachel Silvera

8. Assimetrias de gênero no mercado de trabalho no Brasil: rumos da formalização
Lena Lavinas, Ana Carolina Cordilha e Gabriela Freitas da Cruz

PARTE III: TRABALHO E USO DO TEMPO

9. Tempo de trabalho remunerado e não remunerado na América Latina: uma repartição desigual
Laís Abramo e María Elena Valenzuela

10. Trabalho remunerado e trabalho doméstico na França: mudanças nos conceitos
Monique Meron

11. O tempo do trabalho doméstico remunerado: entre cidadania e servidão
Maria Betânia Ávila

PARTE IV: O GÊNERO DAS CARREIRAS ARTÍSTICAS E CIENTÍFICAS

12. Presença feminina em ciência e tecnologia no Brasil
Alice Rangel de Paiva Abreu, Maria Coleta F. A. de Oliveira, Joice Melo Vieira e Glaucia dos Santos Marcondes

13. Aviões e mulheres: política de igualdade profissional em uma empresa aeronáutica na França
Nathalie Lapeyre

14. Engenharia e gênero: as mutações do último decênio no Brasil
Maria Rosa Lombardi e Débora de Fina Gonzalez

15. Superar limites nas carreiras de mulheres musicistas
Liliana Segnini

PARTE V: CUIDADO, DINÂMICAS FAMILIARES E PROFISSIONAIS

16. O cuidado em domicílio na França e no Brasil
Helena Hirata

17. O cuidado em suas temporalidades e seus atores na França
Aurélie Damamme

18. Cuidados e confiança
Angelo Soares

19. Cuidado, emoções e condições de trabalho nos serviços estéticos no Brasil
Luz Gabriela Arango

PARTE VI: CUIDADO, POLÍTICAS SOCIAIS E CIDADANIA

20. Política da presença: as questões temporais e sexuadas do cuidado
Marc Bessin

21. Políticas públicas diante do envelhecimento no Brasil
Guita Grin Debert

22. O cuidado na nova agenda de combate à violência no Brasil
Bila Sorj

23. Economia do cuidado e sociedades do bem viver: revisitar nossos modelos
Florence Jany-Catrice

Ficha técnica

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